sexta-feira, 26 de maio de 2006

Fim de Semana



Hoje tem arrastão do caçúcar aki em iúna e amnhã é nu rusário!

Amanha tem a Tenda Taj Mahal no Parque de Exposições.

Ah, uma coisa que ainda não tinha sido postada, A PLACA DE IRUPÍ NO TREVO DE IÚNA CAIU! Ou melhor, ao que parece, foi derrubada.... agora só falta saber a quem temos que agradecer... heheheh

Ah, e jamais poderia deixar de dizer que amanha tem aniversário do Lajão!!! Haum comparecer, haum enlouquecer!!!!!

Oh lamar... posta aê os links dakeles blogs bacanas traveis....

quarta-feira, 24 de maio de 2006

Ticket to ride



Antóin e Ulieres...Ingresso de vcs comprado, só falta vir pra cá dia 3...Lembro que o show começa às 17h e que pretendo estar lá no máximo às 18...Valeu, perrada!

Alguém se identifica?



Enjoy the Ride !!!




Finalmente encontrei dois programas realmente úteis!!! Só pra começar já ripei o Scorpions Acoustica, que ficou em 500mb, e o Dream Theater Scenes From new York, que ficou em 600mb! BOM DEMAIS!!!

São o Kingdia DVD Ripper 2.5.4 ( http://www.kingdia.com/software/kingdiadvdrip.exe ) e o Kingdia DVD Audio Ripper 1.7.6 ( http://www.kingdia.com/software/kingdia_dvd_audio_rip.exe ).

Aqui vao os serial numbers:

*Kingdia DVD Ripper v2.5.4

*Name: crsky Code: 0180B2FD7EF3FDB2

*Kingdia DVD Audio Ripper v1.7.4 (pode usar no 1.7.6 que funciona!)

*Name: freeserials.net Serial: A2ECFD2648D587BEF6C35563D9DFA506

SE OS LINKS NAO FUNCIONAREM, ENTRE DIRETO NO http://www.kingdia.com/download.htm

ENJOY IT !

terça-feira, 23 de maio de 2006

Serviço de Utilidade Pública - Vírus no Orkut




FERRAMENTA PARA REMOÇÃO DE VÍRUS QUE ROUBA DADOS E SE ESPALHA PELO ORKUT

http://linhadefensiva.uol.com.br/dl/orkut-fotos-festa

Caros amigos... esse link é para o site Linha Defensiva uma revista eletrônica de propriedade do porta UOL www.uol.com.br e contém um arquivo que faz uma busca no seu computador pelo banker ( vírus que utiliza o orkut pra se disseminar) e o elimina... esse vírus, se auto instala nos computadores e enviam aquelas mensagens para todos os seus contatos ( Dá uma olhada nas fotos da nossa festa, ficaram ótimas...) e nesse link está camuflado outro endereço pra download do software malicioso... essa praga envia scraps (recados) automaticamente para todos os contatos da vítima na rede social, além de roubar senhas de e-mail e de contas bancárias(atenção a todos que usam os homebanking) do um micro infectado através da captura de teclas e cliques... espero que com isso possamos ajudar alguns usuários da net e do orkut... grande abraço a todos... Cortesia Equipe Ziunanet

P.S.: segue abaixo link pra matéria original e reprodução na integra da mesma.
http://linhadefensiva.uol.com.br/2006/05/orkut-festa/

reproduzida na integra

Está circulando pelo Orkut uma praga que é capaz de enviar scraps (recados) automaticamente para todos os contatos da vítima na rede social, além de roubar senhas e contas bancárias de um micro infectado através da captura de teclas e cliques.
Apesar de que aqueles que receberem o recado precisam clicar em um link para se infectar, a relação de confiança existente entre os amigos aumenta muito a possibilidade de o usuário clicar sem desconfiar de que o link leva para um worm. A mensagem enviada é a seguinte:
Dá uma olhada nas fotos da nossa festa, ficaram ótimas. [link malicioso]
Ao clicar no link, um arquivo bem pequeno é baixado para o computador do usuário. Ele se encarrega de baixar e instalar o restante das partes da praga, que enviará a mensagem para todos os contatos do Orkut.
Além de simplesmente se espalhar usando a rede do Orkut, o vírus também rouba senhas de banco, em outras palavras, é um clássico Banker. Bankers são muito comuns no Brasil e chegaram em segundo lugar no top10 das pragas mais ativas em abril, de acordo com o que a Linha Defensiva observou no fórum.
É raro que um Banker inclua rotinas para se espalhar para outros sistemas, mas isso está ficando cada vez mais comum com as pragas que enviam mensagens pelo MSN e agora com este worm que envia automaticamente os recados para o Orkut.
Ferramenta de Remoção
Devido ao grande número de casos que foram avisados à Linha Defensiva, estamos disponibilizando uma ferramenta de remoção capaz de remover a praga do sistema. A ferramenta pode ser baixada através do seguinte link:
http://linhadefensiva.uol.com.br/dl/orkut-fotos-festa
Basta executar a ferramenta, confirmar sua execução pressionando qualquer tecla e esperar a mensagem dizendo que tudo ocorreu bem. Depois de terminar de executar a ferramenta, a pasta C:\LinhaDefensiva\ pode ser removida para terminar a limpeza do micro.
Para evitar infecções como essa, é recomendável que você jamais clique em um link enviado por qualquer meio, incluindo Orkut, MSN e e-mail, sem antes confirmar com o remetente que o mesmo enviou o link.
Assim como perfis no Orkut podem ser comprometidos, mensagens no MSN podem ser enviadas por vírus e, no caso de e-mail, o campo “De” das mensagens pode ser facilmente falsificado. É importante que você fique sempre alerta e desconfie para evitar infectar o seu computador.

segunda-feira, 22 de maio de 2006

Sorry....




Seguinte, semana passada após fazer uma atualização, na sexta, minha conexão falhou e acabei nao conseguindo terminar a atualização, o que provocou um erro no salvamento da página principal do blog.... por isso algumas pessoas entraram e naum conseguiam ver nada, só um monte de letrinha, que naum parece ter sentido.... mas que é o código fonte do blog!

Como eu naum me lembro de ter guardado uma cópia dakele layout, vamos usar este, temporariamente...

sexta-feira, 19 de maio de 2006

Para mudar um pouco o tema - by Toca do Lobo



" No mundo atual está se investindo 5 vezes mais em remédios para
virilidade masculina e silicone para mulheres, do que na cura do Mal de
Alzheimer.
Daqui a alguns anos, teremos velhas de seios grandes e velhos de pau
duro, mas eles não se lembrarão para que serve "

"puta merda, eu não sei quem que fez esta frase, mas ela é fodona."

retirado do blog TOCA DO LOBO..... vide ziunalinks

quinta-feira, 18 de maio de 2006

Presídio - A Reunião




Antes de tudo, teve a passeata, que fechou 90% do comercio do centro e levou as pessoas para o salao da igreja católica matriz de iúna para discussão sobre o presídio!

depois de toda akela gente lá em cima, um pouco do lado de fora, pq não coube, e com a presença do secretário de estado da justiça, o prefeito, secretários municipais, os padres, juiz, promotor, presidente da associação comercial, maçonaria, consorcio caparaó, escolas, e muita gente que eu nunca vi antes..... começou, já de forma tumultuada, e assim continuou até o fim, a reunião que deveria ser para apresentar o projeto de construção de uma "cadeia" para 170 pessoas no território do município de iúna.

enfim, toda akela mesa alí composta, era pra convencer a população do inevitável...

segundo o secretario estadual de justiça, enviado pelo governador do espírito santo, paulo hartung, a cadeia atenderá 170 pesoas, de iúna, irupí, ibatiba e ibitirama... o governo do estado tem como objetivo desafogar o sistema carcerário da grande vitória e para tanto começou a chamada INTERIORIZAÇÃO CARCERÁRIA, com a construção de cadeias, ou melhor, presídios regionais terceirizados, que contratarão pessoas da comunidade para trabalhar no local.

em meio ao grande tumulto causado pelas pessoas presentes, que pouco deixaram as "autoridades" falarem, o prefeito de iúna disse que um grande número de recursos já estão na conta da prefeitura e outros ainda estão por vir, deixando, acredito, implícito que, um acordo foi feito com o governo do estado para a construção do tal presídio.... em troca dos recursos para reformas, da escola nagem abikair, do ginásio, de estradas, do asfaltamento da água santa e da ferreira vale, etc.... acredite quem tem tutano!

mas, fica sempre a dúvida, a incerteza do que será realmente cumprido! um local para 170, 140 delas homens e 30 mulheres, pessoas de iúna e da região que compreende irupí, ibatiba, ibitirama, que estão cumprindo pena em outros locais e que devem voltar pra cá, em si construindo o cadeião!

É... há algo de muito podre no reino du ziuna...

quarta-feira, 17 de maio de 2006

Venda Nova dusmigrante





Fotos by Rafael Muzi

LUCIANA GIMENEZ ENTREVISTA LULA



Luciana Gimenez - Presidente, como você perdeu o dedo?
Lula - Foi numa prensa mecânica.
LG - O que é isso, prensa mecânica?
Lula - É uma máquina assim que serve pra prensar e que funciona de maneira mecânica.
LG - Ah, tá. Agora entendi. E doeu?
Lula - Menina, eu tava com tanta cachaça na cabeça nesse dia que eu nem senti nada. Só quando eu olhei pra minha mão esquerda e vi que só tinha oito dedos que eu pensei: Ué, cadê os outros dois?
LG - E você ficou muito abalado?
Lula - Eu tive que repensar minha vida. Não dava mais pra conciliar o trabalho com o goró. Aí eu larguei o trabalho.
LG - Foi aí que você decidiu virar sindicalista?
Lula - Foi. Eu tava um dia jogando sinuca e o Biriba, um compadre nosso, falou que polícia tava metendo tudo que é sindicalista em cana. Como cana é comigo mesmo eu fui lá.
LG - E como é assim sair do nada e de repente virar ídolo nacional?
Lula - Olha, Luciana, eu acho que nós dois temos experiências parecidas. Eu comecei montando num jegue, e você começou montando num Jagger.
LG - E como é ser presidente? É legal?
Lula - Deixa eu dizer uma coisa pra você. Tem hora que eu fico sozinho lá no meu gabinete, olho praquelas parede, olho o jardim lá fora e penso: Rapaz, esqueci de comprar os produto de limpeza que a Marisa me pediu.
LG - Pra terminar eu queria que você dissesse uma palavra de esperança pra quem tá assistindo a gente.
Lula - Vou dizer mais de uma. Eu estou convencido de que esse país tem jeito. A gente pode tá jogando futebol e de repente toma um gol, toma dois, toma cinco, tem dois jogador expulso, o goleiro é míope, o centroavante é perneta, o juiz é ladrão, o gandula demora pra trazer a bola, e a gente toma mais dois gol e mesmo assim a esperança de que tudo vai dar certo continua lá.
LG - Nossa, que profundo.
Lula - Eu acredito, Luciana. Eu estou convicto de que aconteça o que acontecer o amanhã sempre vai chegar.
LG - Bom, muitíssimo obrigada por ter vindo aqui. É o máximo falar com o homem que governa o país.
Lula - Não tem de quê. Eu é que gostei muito de fazer o programa com você.
LG - Opa, peraí. Eu não faço programa.
Lula - Então tamo empatado. Eu também não governo o país.

segunda-feira, 15 de maio de 2006

Reunião à vista...



Digníssimos colegas metaleiros e companheiros de blog...Dêem uma olhada nesse link e vejam se há alguém que queira comparecer lá comigo: http://www.hotshows.com.br

sexta-feira, 12 de maio de 2006

Metal ForEVER!!!!!





Aê, entrei nakele fotolog que o Lamartini falou e baixei dois discos básicos!!!

RHAPSODY - LIVE IN CANADA - 2006 (Pra quem axa que rhapsody tá ultrapassado, baxa o cd e depois me conta.....)

DI'ANNO - NOMAD (heavy metal de primeira qualidade... pesadáçu!!!!)

Ambos foda demais!!!!

Taí o link: www.fotolog.net/pmusic

E tem mais, no canto inferior direito.... u quê???... no canto de baixo, na direita... ahhhhh... tem uns links tb... pra downloads!!! Try it!

quinta-feira, 11 de maio de 2006

Calculadora de Imposto



Fazendo uma busca, encontrei um site e uma ferramenta muito interessantes que vale a pena deixar o orkut de lado e examinar um pouco:

www.idec.org.br

www.contribuintecidadao.org.br/olhoImposto

terça-feira, 9 de maio de 2006

Casamento do Bim Inside, no ICC, 06-05-06





Mais atual do que nunca...



Presídio no Caparaó, Eu Sou Contra!!!



ISTO É COISA SÉRIA!!!!!!!!!!!!!!!!

Será construído um presídio, ou cadeião, no município de Iúna/ES, Região do Parque Nacional do Caparaó ES/MG!!!!!

Se vc é contra esse ato insano, entre agora mesmo pra comunidade e deixe seu recado para as chamadas "autoridades"!!!

DIGA NÃO!!!!!!!!!!!!!!!!

A Região do Caparaó é conhecida mundialmente por suas belezas naturais e por sua gente hospitaleira, e agora querem acabar com a nossa paz e tranquilidade!

ENTRE PRA COMUNIDADE NO ORKUT: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=13224551

domingo, 7 de maio de 2006

20 Anos no Rum!!!!



é amigos... olhem a matéria abaixo... heheheh eu bem conheço alguém que tá fazendo o mesmo processo de conservação... só que de dentro prá fora hehehhehe


Homem é encontrado em barril de rum após 20 anos


Construtores húngaros, depois beber todo o conteúdo de um barril de rum enquanto reformavam uma casa, tiveram uma desagradável surpresa ao encontrar dentro do tonel vazio um cadáver de um homem em conserva.
De acordo com a revista online zsaru.hu, trabalhadores de Szeged, no sul da Hungria, tentaram mover o barril depois de vazio, mas continuava muito pesado. Os homens ficaram chocados quando o corpo nu caiu de dentro.
O site disse que o corpo havia sido enviado da Jamaica há 20 anos pela sua esposa, para evitar ter que pagar os custos de uma volta oficial. De acordo com o site, o rum do barril de 300 litros tinha um "sabor especial", que fez com que os trabalhadores guardassem algumas garrafas para levar para casa.
Hoje, a esposa já é falecida, e o homem finalmente recebeu um enterro de verdade.


Grande abraço aos valentes amigos apreciadores de Rum... abraço Marcelão, o mais afoito pelo litro ... hehehhe

sexta-feira, 5 de maio de 2006

Seu Jorge, seu criado!!!!







Bom... antes de tudo, explico que o texto foi extraído das páginas da revista digital Caros Amigos (http://carosamigos.terra.com.br/) de propriedade do portal Terra... e que não tenho nenhum interesse nos créditos da mesma... meu único interesse é expor uma entrevista que achei interessante com uma personagem a qual sou fã... uma intrevista com essa peça raça e cativante que tive o prazer de conhecer em Lisboa em Outubro de 2005 ... um grande carisma, uma simplicidade ímpar e um talento inegável...

REPRODUZIDO NA ÍNTEGRA

Seu Jorge. Em quatro horas de conversa, falou-se de tudo – samba, Rio, Europa, Brasil, periferia, chacina, música, pobreza, dor e alegria. O sumo dessa entrevista super risonha e franca você confere a seguir.

Fomos recebidos por seu Jorge em sua casa no bairro de Vila Madalena, São Paulo, onde mora com a mulher e a filha quando não está em Paris, seu segundo lar. Muito bem recebidos, diga-se de passagem. O músico, compositor e ator carioca, queridinho dos europeus desde que interpretou Mané Galinha no filme Cidade de Deus, nos guiou logo na chegada para o barzinho do estúdio e nos ofertou a “mina”: um freezer repleto de cervejas. Basta apertar o pedal, e a loirinha rola, geladinha, para animar qualquer papo.

Entrevistadores - Andrea Dip, Natalia Viana, Marina Amaral, Tatiana dos Santos, Sofia Amaral, Diogo Ruic, Camilo Leal, Marcos Zibordi, Thiago Domenici.

Fotos : Denys Polastrelli Rodolfi Florindo & Amigos
Equipamento: Celular Nokia 6600

Thiago Domenici - Queria que você falasse um pouco da sua infância no Rio de Janeiro. Nasci no dia 8 de junho de 1970, no bairro de São Cristóvão, mas fui criado até os 12 anos na Baixada Fluminense, no centro de Belford Roxo, e depois fui morar num bairro chamado Gogó da Ema, onde desenvolvi minha adolescência. Minha infância foi ótima porque sempre aceitei minha vida como ela é, como veio pra mim. Não estive livre das fatalidades, até vivi com mais freqüência do que muitas outras pessoas as coisas avessas, os dissabores, as agruras, a necessidade do pobre, né? Que tem problemas financeiros, que o pai não tem emprego, que a mãe não tem emprego. Mas lá em casa todo mundo era muito unido, eu tive essa sorte. Muitos colegas de infância tinham problemas diferentes em casa, o pai dele não era legal, a mãe dele não dava atenção, além da dificuldade de ser pobre, de não ter estudo.

Marcos Zibordi - Você freqüentou escola? Freqüentei escola até a sétima série.

Tatiana dos Santos - Quantos são na tua família, os irmãos? Eram seis, mas perdi dois irmãos. O Eduardo, em 1986, com 23 anos, e quatro anos depois o Vitório, com 16 anos. Foram duas fatalidades difíceis de segurar. A primeira a gente suportou melhor porque tinha uma certa distância, o Eduardo era filho do primeiro casamento da minha mãe e morou pouco com a gente, ele morreu de bala perdida e o Vitório em uma chacina.

Natália Viana - Como assim, chegaram atirando? É isso aí, cara.

Natália Viana - Em todo mundo? Em inocente, cara, é o absurdo, né? Mas é isso aí. Você tá em guerra nas comunidades, de repente matam um montão de inocentes e tá tudo certo. Aquela gente lá não tem tio coronel, não tem pai general, ninguém vai correr atrás mesmo. Ninguém vai fazer nada.

Marcos Zibordi - E o que você sentiu quando viu essa outra chacina na Baixada, essa feita pelos policiais? Ôpa meu, ô, nem fala, porque a gente tá cansado de saber que esses caras... Pois é, e só falam da vida do Ronaldinho, da Cicarelli, sacou? Isso é que é muito chato. Só contam da vida dos outros, e os problemas rolando, coisa séria acontecendo aí, sacou? É duro falar, velho, sinceramente, uma parada que eu fico muito magoado. Não é com ninguém em particular, não é com jornalista, é com meu país mesmo porque é abandono completo e a gente tem que fazer por sobreviver, pra ser alguém. Como é que o Rio de Janeiro pode ser lindo se uma porrada de moleque está dormindo na rua? Como é que a rua pode ser legal se você chega num lugar ali tá um cheiro horrível? Como é que pode ser legal uma parada dessa? E esse povo é bacana, cara, o pobre continua trabalhando todo dia, liga a tevê, fica lá torcendo, querendo que as paradas aconteçam e nada rola. E os caras têm as coisas todas pra fazer acontecer no Brasil e ficam vivendo às custas do sangue, da agrura, da dor das pessoas. Um país enormemente rico e admirado, e que todos nós que trabalhamos fora do país tentamos representar bem. Eu estive na Noruega e encontrei uma senhora que mora lá faz 27 anos, ela saiu do Maranhão. Eu tô cantando uma canção no final do show Eu sou Favela, um tema forte, e ela, pô, chorava pra caralho e gritava “é meu país, é meu país, é meu país”.

Marcos Zibordi - Como a música surgiu na sua vida? Eu tinha dez anos de idade, vivia naquela comunidade e por mais que as coisas fossem difíceis, tinha uma coisa ou outra que era legal: o campinho da Independente, sinuca da rapaziada, essas coisas de subúrbio. E a gente sonhava, uns queriam ser jogador de futebol, e eu queria tocar, e queria tocar saxofone. Meu pai é músico mas na época dele ser músico era biscate, não profissão. Ele era ritmista, tocava pandeiro, aquele surdo...(pega o surdo) Esse surdo, rapaziada, esse surdo aqui ó, esquentou quando eu era moleque.

Marcos Zibordi - Esse era o que ele usava? É, esse aqui, deve ter uns 28 anos. Ele deu pra minha filha e minha filha me deu de Dia dos Pais, pintou a mão e me deu de volta. Esse cara aqui (o surdo) já levou muito rango pra casa. Meu pai chegava com uma Coca-Cola litro que antigamente dava pra todo mundo. Não é essa porra de hoje que você compra dois litros e não dá pra ninguém. E ainda sobrava pro dia seguinte pra tomar um golinho.Um frango assado com farofa, aquele da televisão de cachorro. E a gente ficava feliz pra burro.

Marina Amaral - E onde seu pai tocava? No Rio de Janeiro tinha muita orquestra de baile naquela época. Uma orquestra era composta por um cara do surdo, um cara do tamborim, um cara do pandeiro, não era um cara para tocar tudo, tinha um para cada instrumento, entendeu? Eles ficavam parados na porta do João Caetano esperando o maestro, que geralmente era um subtenente do Corpo de Bombeiros ou o capitão da banda da Polícia Militar que por fora do trabalho montava uma orquestra e fazia baile. E eu acompanhava meu pai e pirava no saxofone. Aos 10 anos de idade fui trabalhar de borracheiro para comprar um saxofone.

Thiago Domenici - Foi teu primeiro emprego? Foi o primeiro que considerei emprego. No mesmo lugar onde era a borracharia tinha uma loja de ferragens. Uma serralheria que fazia ornatos, portão, grade, janela. E eu era aprendiz, ficava torcendo os ornatos, cortava os ferros.Naquela época as pessoas eram interessadas em ensinar um ofício para os mais novos. “O moleque é bão, respeitador, deixa com a gente, dona Maria, que a gente tá olhando”. A mãe gostava, dava uma possibilidade pros moleques. Estudar era difícil porque quando você acorda para ir pro colégio e não tem pão, não tem manteiga, não tem café e não tem açúcar, fica muito difícil de aprender. Mas eu ia pro colégio e depois ficava ali de aprendiz. Daí a serralheria foi pra outro lugar, o filho do dono assumiu a borracharia e passei a ganhar minha grana trabalhando com ele como borracheiro. Minha mãe lavava roupa para fora, então era muita água sanitária, sabão de coco, sabão líquido, tudo comprado fiado. Com o que eu ganhava, pagava esses fiados e sobrava dinheiro pra ir para o cinema, que eu adorava. Mas não dava para o saxofone, era um instrumento muito caro, muito nobre. Meu primeiro instrumento foi a corneta, quando entrei no Exército.

Marina Amaral - Corneteiro do Exército?! Quem diria, hein? A história é a seguinte: eu trabalhava em uma mercearia, mas quando chegou a época de me alistar fiquei sem emprego. Por isso os jovens de 17 anos ficam vagando, por causa do serviço militar obrigatório. É um hiato de tempo que você não arruma emprego porque ninguém quer te empregar... Na época já era assim, imagine hoje. Tô falando de 1989.

Marina Amaral - E é quando eles engravidam as meninas, né? Touché! Nada para fazer e a menina também, pum tchau. Aí eu tava fazendo 18 anos, não tinha idéia do que ia fazer depois e o Exército de repente pintou. Aí o sargento perguntou pra mim “ Quer servir ou quer sobrar?”. Falei “ Olha, você quem sabe”. “O que você faz?”, “Sou borracheiro e sou músico” – porra nenhuma, não sabia nada. “ Toca o quê?”, “ Toco saxofone ”.

Andrea Dip - Mas já tocava? Porra nenhuma, menti geral. Aí ele falou: “ Você tocou onde?”, falei: “Toquei na banda marcial do meu colégio ”. A única coisa que era verdade era que o meu colégio tinha uma banda marcial e se ele fosse averiguar ninguém ia lembrar se eu toquei ou não toquei naquela porra.

Tatiana dos Santos - E por que você não tocava na banda do colégio? Porque não tinha instrumento, era filho de pobre.

Marcos Zibordi - Mas como é que você era filho de pobre e estudava em escola de rico? Porque naquela época tinha um vereador chamado Adauto Vargas que deu quatro bolsas de estudo para nós em troca do voto da minha mãe.O dono do colégio era político também, então a jogada dos caras era essa. Todo mundo tinha uma situação muito melhor que a minha na escola e eu não tinha ritmo para acompanhar, era um colégio puxado. Era uma vergonha, “empresta um apontador, empresta uma folha de caderno ”, muito ruim, sabe?, estudar assim. Você se desinteressa. Eu não me desinteressei, mas sabe...A gente não tinha uniforme e toda hora na sala de aula era constrangimento. Aí vem complexo e mesmo com a coisa ali, frustra. Eu e meus irmãos éramos bem minoria.

Marcos Zibordi - Você ficou quanto tempo nessa escola? Uns 3 anos. Depois minha mãe foi trabalhar lá, ser faxineira e piorou.Acabei saindo. Mas deixa eu continuar a história do Exército. Aí eu entrei.Primeiro você é recruta e tem que fazer todo o trabalho de instrução para virar soldado. Você tem que aprender a mexer nas armas, situação de guerra, virar um combatente. Minha qualificação militar era infantaria. Depois dos três primeiros meses, aí você para o mato, acampa, passa perrengue, come merda, fica doente, toma vacina. Adapta seu corpo. É uma disciplina rígida.

Marina Amaral - Você chegou a ir pra cadeia enquanto era soldado? Pior. Eu fui expulso.

Marina Amaral - Como foi?Foi horrível porque eu não podia falar aquilo em casa e, na época, quando se era expulso em vez do certificado do serviço militar, eles davam um certificado de isenção, o que significava na prática que seria muito difícil eu arrumar um emprego. Falaram: “Se você continuar assim, vai virar marginal”. Botaram a maior neurose.

Tatiana dos Santos - Mas por que aconteceu a expulsão? Porque eu dormi no plantão, comprometi a segurança da turma. No quartel é assim, qualquer falha, cadeia. Por exemplo, você tem um uniforme completo e está em guarda. Se você tirar o gorro, e o cara passa e vê, ele anota e depois o oficial decide se pune você. Se punir e você pegar cadeia, vai acumulando. A cada vez aumenta a quantidade de dias de prisão até a expulsão. Meu coronel era chatão, maior mala, tenente coronel Chagas. Foi por causa desse cara que fui expulso, eu já ia dar baixa, ele me expulsou 20 dias antes. O Exército expulsa soldado o tempo todo, por coisa boba e por coisa grave. Neguinho rouba arma, mata o companheiro para levar o fuzil para o morro. Tem presos na Justiça Militar de alta periculosidade. Por isso que os moleques conhecem bastante a respeito de arma no morro... Mas eu não tinha cometido crime nenhum. Eu até queria ficar no Exército. Entrei pra fanfarra, fui aprovado pro curso de música, pra corneteiro só tinha uma vaga. Voltei super bem, tocando muito, virtuoso. E ali no Exército era uma maneira de estabilizar. Emprego garantido, dava uma moral pra minha mãe.

Marcos Zibordi - Daí você é expulso do Exército e aí? Tá na rua... Daí foi bravo porque botaram essa neurose do documento e eu não arrumava emprego. Fui fichado na polícia com essa porra. Me levaram lá na delegacia de Realengo. Os caras não consideraram que eu tinha 19 anos de idade, que era um cara da favela, não tinha tido recursos. Eu tinha dado o meu melhor, não matei, não roubei, não fiz nada de errado. Mas por fim consegui voltar pro emprego na mercearia do Méier onde eu trabalhava antes de me alistar e fiquei na minha, morando no Gogó. Engraçado, tem dois, três anos que eu estive lá e encontrei meus amigos. Eles tiveram filhos com dezesseis, dezessete anos, e eu com 32 anos, dá pra ver a diferença que faz a oportunidade de ter a informação. Mas é incrível também, porque a dignidade tá lá, os caras são os pais daquelas crianças, tá tudo certo, assumiram, seguraram aquela bronca, estão vivendo aquela vida, e eu tô completamente diferente, tô completamente mudado, um OVNI. Quase fora.

Marina Amaral - Você acha que a situação social das pessoas do seu bairro melhorou ou piorou? Piorou. Na minha época se queria ser feliz, se aceitava daquele jeito, vou melhorar aquele telhadinho ali... A pessoa dava um jeitinho de arrumar uma graninha e comprar umas tintas, pintar o barraco. Hoje, o cara precisa de um celular, o celular dele tá caído, quer outro, precisa da porra de um Nike senão acha que não pode fazer inscrição para arrumar aquele emprego, sabe? Ele associa assim. É muito complexo.

Thiago Domenici - Gogó é uma favela? Não, é um bairro da Baixada Fluminense. Bairro pobre, tem construção de alvenaria. O problema é a chacina, o extermínio. Até essa coisa de facção, de boca de fumo não é o forte dos caras. É uma crueldade mesmo.

Marina Amaral - É grupo de extermínio formado por policial? Tem policial, tem bandido. O cara que faz isso não é policial, é bandido. Não pode botar o policial nessa roda, porque tem muita gente boa na polícia. Mas o que rola é isso, a gente sempre fica sabendo de policiais que se misturam com bandido, jogam capuz na cara e vão na covardia, endoida, quebra tudo, barbariza as meninas, crianças, vai todo mundo. Mata criança, chuta cara de bebê. Gente ruim. A cena no ato é terror puro.

Marcos Zibordi - Ladrão contra ladrão, contratados pelos comerciantes? Os caras vêm como uma nuvem preta assim do mal que aparece e some e ninguém sabe a procedência. É uma nuvem maléfica que chega fazendo arruaça na madrugada, encapuzados barbarizando e sempre deixando alguém pra contar história. Pô, mataram trinta agora, poxa!

Marina Amaral - E seus irmãos morreram assim? Na passagem dessa nuvem negra? É.

Marcos Zibordi - Dentro da sua casa? Não, pegaram ele na porta da padaria, ele e mais cinco pessoas. O Vitório. Pô, foi a trinta metros da minha casa. Eu estava voltando do trabalho, por fim tinha arrumado emprego novo na mercearia que eu trabalhava antes de me alistar no Exército. Saí para pegar o último ônibus para o Gogó. Só tinha uma linha, agora nem isso tem mais. Quando cheguei no ponto vinha chegando o povo que era do mesmo ônibus. No subúrbio tem muito isso, o povo pega o ônibus no mesmo horário pra saltar no mesmo ponto, então é uma galera que já se conhece. Daí chegou essa turma e eu com o walkman no ouvido e um parceiro meu falou: “Pô, o bicho pegou lá dentro do Gogó, teve uma porção de gente morta, foi maior desgraça”. Aí a gente foi entrando no ônibus e o cobrador, que conhecia minha família, me olhou de um jeito estranho, um clima esquisito dentro do ônibus. E ele falou: “Pois é. Pegaram os caras ”. Aí eu perguntei: “Sabe quem é?” Achava que eram os bandidos, os meninos lá do bando do Gogó. “Pô, parece que é tudo gente de fora”, ele disse. “É mesmo, os caras invadiram e tomaram um sacode?” Achei que tinha sido isso, briga de bandido. E eu tô vendo: as pessoas olhando para a minha cara e eu sentado no ônibus na minha. Aí no ponto que antecede o que eu ia saltar, tinha um corpo, sozinho. Não tinha ninguém. Geralmente fica sempre parente em volta, esperando o rabecão, a perícia, que nessas comunidades demoram pra caralho, o corpo fica lá no chão. O ônibus foi passando devagarzinho e nego levantou, olhou, escurecia, o corpo era de um garoto. Saltei no meu ponto e estava uma amiga da minha mãe com a filha menor na mão, esperando a outra filha. E eu estou a duzentos metros dela, vendo a luz da polícia, aquela muvuca, nunca vi o Gogó daquele jeito naquela hora. E eu falei: “Pô, mataram um menino aí, só gente inocente, que sacanagem”. E ela chorando muito e eu: “Que foi, dona?”, “Jorge, sinto muito, mas o Vitório morreu”. Ah, não! Corri lá e vi meu irmão só com a metade do rosto. Os caras deram tiro de escopeta nele. Calibre 12, não tinha metade do rosto. E meu outro irmão, o menor, que agora tem quatro filhos, mas na época tinha treze anos, chorava pra caralho nas mãos do vizinho. E eu cheguei: “Cadê minha mãe?” “Sua mãe foi lá em Belford Roxo telefonar”. Aí eu achei que neguinho tava mentindo, que minha mãe tava passando mal no hospital, algo do gênero. Aí eu falei: “Galera, cadê minha mãe? Onde está minha mãe?” E a polícia: “Calma, calma ”. “Calma o caralho, vocês não estavam aqui pra falar nada, pra resolver essa parada. Agora tem um montão de gente morta, meu irmão está morto, as crianças aí, olha lá como está a situação”. Aquele garoto que a gente viu o corpo do ônibus era o Jorge, dezessete anos, cara. Pô, crente, com a Bíblia debaixo do braço. Ele estava esperando o filho do padeiro quando vieram os tiros. O padeiro inclusive pagou o enterro do meu irmão. Seu Pedro, agradeço muito. Pagou o enterro do meu irmão porque a gente não tinha dinheiro. O que me espanta muito é que essa rapaziada não tem conhecimento disso, do genocídio que está rolando com o pobre brasileiro, com o negro, sabe? Com o negro, com o nordestino, com a mãe solteira.

Thiago Domenici - Foi depois da chacina que você foi morar na rua? Exatamente. Depois disso fui homeless por quatro anos. Eu tocava, limpava vidros, trabalhava em lanchonete, lavava aqueles banheiros que a galera suja...

Marina Amaral - Onde você dormia? No Méier, na Tijuca, Vila Isabel. Mudava de um território para o outro, procurava sempre um espaço vago onde não tinha ninguém. Sempre solitário, não ficava com os outros moradores de rua. Não podia colocar as minhas idéias para aquela turma porque ia faltar quem entendesse. E depois também tem uma promiscuidade, uma insanidade muito grande ali dentro. Ninguém é de ninguém, ninguém tem passado, ninguém é considerado ninguém. A gente tem passado, tem presente, possivelmente um futuro. Quem mora na rua não tem nada disso.

Marina Amaral - O que te fez seguir em frente? A música, eu tinha a música, nasci músico. No dia do enterro do meu irmão, eu estava conversando com meu outro irmão em um bar no Méier e estava o Gabriel Moura acertando de tocar lá. E eu escutando o papo, pensando: “Foda-se, nunca pude errar pra dar o exemplo certo pros meus irmãos e acontece isso? Agora vou ser músico”. Aí ouvi que ele ia tocar numa quarta-feira, fui lá ver. Pô, o cara tocava pra caralho. O cara tocando Djavan, Chico, coisas que não tocavam no Gogó, sabe? No rádio não toca. Os caras muito menos. Era muito bom ver o cara tocando e estar fora daquele lugar que não oferecia nada, quer dizer, tinha me dado só merda... Ali tinha show, música, gente aparentemente feliz vivendo suas vidas, então era uma maneira de esquecer aquela dor. Perto do bar tinha um cinema com um ponto de ônibus na frente onde ficava uma barraca de angu à baiana. E o dono desse angu à baiana, o Jefferson, é um cara que toca violão muito bem, tinha uns quatro, cinco violões e ficava sozinho na barraca à noite, a barraca era 24 horas, vendendo angu pros boêmios. A rapaziada saía do bar, o bar ia fechando, o baixo Méier fechando, a rapaziada ia tomar a saideira lá, no isopor, comer um anguzinho pra ficar legal. E ali na barraca tinha um cara que era um amor de pessoa, o cara era desenhista, tava desempregado, aí fez um concurso pra polícia civil e entrou para trabalhar fazendo retrato falado, o emprego dele era esse. Tinha distintivo, tinha arma, mas era um panaca de um polícia. Gostava de cavaquinho e tal. Era ele, o Paulinho Rangel, que era um baterista de baile, esses caras que tocam com uniforme completo, calça branca, blusa branca, sapato branco, andava com as baquetinhas debaixo do braço... Ele com a baquetinha, eu e o Jefferson, o cara do angu, marrento, do morro... Malandragem do morro, assim, tocava violão tipo Jorge Ben, a mão direita animal... Essa rapaziada. Aí eu ficava ali. Quando a barraca lotava, o Jefferson corria e eu segurava o violão. Naquelas, eu ficava testando as harmonias dele, ficava decorando, tentando tirar as músicas. Aí, dessa brincadeira, passou uns três meses e tal, e ele viu que eu estava evoluindo nessa história e me emprestou um tonante muito legal, porque era macio, violão casca de jaca, mas muito macio, “E agora some daqui e te vira ”.

Thiago Domenici - E como você saiu da rua? Com o teatro. E com a música também, fazendo amigos. O que eu fiz? Procurei capitalizar as coisas. Sempre ouvi dizer que amigo vale mais do que dinheiro. E estava numa condição perfeita para praticar essa teoria. E, porra, deu certo ! Com a música, era a barganha.

Marcos Zibordi - Mas em que tipo de lugar você tocava? Naquela época, se você me cruzasse, ia me ver com o violão, um maluco que você ia falar: “Pô, esse cara não tá bem ! Será que esse maluco toca mesmo?”

Marcos Zibordi - E esse cabelo... Eu não tinha esse cabelo. Tinha cabelo curto, baixinho, não bebia, não fumava. Era um maluco que você ia percebendo que estava sempre por ali, e que não tinha passado, ninguém sabia minha história... Aí sempre tem uns coroas de mais idade que têm bola de falar: “Chega aí, qual é a sua?” E eu dei uma sorte fodida porque tinha uma turma de advogados, uma galera muito louca que tomava um chopinho no Méier, eles se encontravam pra discutir filosofia dos livros. Aí tinha um advogado que era um puta de um poeta e tocava um pouco de violão, e eu chegava com o violão, e proporcionava um pouco de música, e eles com aquele papo de filosofia e eu dava as minhas idéias e eles me adotaram. Depois eles iam embora pra casa e eu seguia o meu destino.

Camilo Leal - E como veio uma estabilidade, uma casa pra morar? Aí já foi em 1997. Foi quando fui convidado a morar com o Bertrand, do grupo de teatro da UERJ. Antes disso eu dormia dentro do teatro. Marina Amaral - E como você chegou no teatro? O Gabriel Moura me levou, aquele cara que vi no bar do Méier no dia do enterro do meu irmão. Fiquei amigo do cara e comecei a aprender esse violão e a andar atrás dele. Quando foi em 1993 ele estava no projeto da companhia de teatro da UERJ, o Paulo Moura estava lá também. E não tinha um coro muito eficiente de músicos, cantores, ou de gente que nasceu pra isso. E ele me convidou pra fazer parte desse coro, falou: “Pô, vai lá, você tem uma voz grossa que eu tô precisando pra peça”. Falei: “Então tá certo, então eu vou”. Fui lá, fiz teste, o Paulo Moura gostou e me deu um solo no espetáculo. Aí tudo mudou e depois de um mês eu já tava dormindo escondido no teatro. Passado um tempo, eu cheguei pro Antonio Pinto e falei: “Tô dormindo escondido aqui, sou morador de rua ”, contei a minha história, e disse: “Eu quero ficar, quero muito ficar, sei que posso aprender, sei que posso dar alegria pra vocês pra caralho e eu preciso...” Aí ele falou: “Tudo bem, eu arrumo um documento dizendo que você é o segurança da companhia e você pode dormir aí ”. Aí dormi uns três anos lá. Depois mudou a reitoria, o novo reitor começou a boicotar a gente e o fato de eu estar dormindo lá complicava. Aí tive que voltar pra rua, mas o Bertrand me chamou pra morar com ele, em 1997. Foi nesse período do teatro que tive também a minha primeira experiência de cinema com o Mika Kaurismaki, um diretor finlandês que morava no Brasil e fez uns filmes, Sambódromo e As Filhas de Iemanjá. Ele era o diretor de casting ali na companhia. Tinha um elenco de 23 profissionais e mais 60, 70 alunos. Eu era responsável pelo repertório musical de 28 espetáculos.

Camilo Leal - E o samba? Tinha lá no Gogó uma comunidade de samba? No Gogó não, mas no Belford Roxo tinha apreciadores e tal... Chegando a época do carnaval, tinha carnaval de rua e essa cultura de ver desfile pela televisão, comprar cerveja e ver o desfile, e depois do desfile ir pro coreto da praça, tocar samba, fui educado assim. E ouvindo também no rádio, né? Bezerra, Roberto Ribeiro... Depois teve explosão de minha tia Jovelina, Pérola Negra...

Marina Amaral - E você acha que o samba é coisa de carioca? Como é aqui em São Paulo? A galera gosta do samba também. Acho que aqui até tem mais variedade. Não de artistas, mas aqui tem o samba-rock e também o partido-alto, o pagode, e no Rio não tem mais o samba-rock.

Marina Amaral - E a moçada do hip hop aqui em São Paulo? Você conhece? Pô, cara, o Brown veio aqui em casa e chegou falando uma coisa muito interessante: “Você tá meio único numa história e a gente precisa de você porque na periferia tem muito rap. Tem muito DJ, muito b-boy, muito MC, mas não tem ninguém com a porra do violão tocando, sabe? Um Jorge Ben e tal. Leva essa parada pra galera, o violão pra galera...”. Pô, o cara é muito inteligente, pra mim é dos caras mais importantes que tem aqui nesse país, muito sinistro. Ele não dá uma bola fora. “Pô, leva lá, véio, tá brabo. Precisa de um maluco que faça uma parada de violão” que é maneiro um violão!

Marina Amaral - E o Netinho, você conhece? Eu adoro esse ser humano ! Nossa! Esse ser humano é incrível. Marina Amaral - Mesmo fazendo propaganda da Fininvest? Olha, véio... Ele é uma pessoa de comunicação, não é? Se tão pagando bem a ele, demorou... Não tá roubando nada. Não tá roubando ninguém. Eu não fiz. Eu podia ter ido fazer uma propaganda da Fininvest. Eu não quis fazer, sabe?

Marina Amaral - E por que você não quis fazer? Eu não quis fazer porque é um cachê que é tirado do povo. Enforca a vida do povo pra tirar a grana da propaganda, o meu cachê. Mas eu sou eu, Netinho é Netinho, eu gosto dele demais.

Sofia Amaral - E Cidade de Deus? Como foi participar do filme? Cidade de Deus foi um filme incrível, os caras do rap lá fora, Scarface, não pensam em outro filme. Neguinho ama o Zé Pequeno, Zé Pequeno e Samuel L. Jackson lá é a mesma coisa... City of God, os caras mandam essa. Se o Leandro botar o pé naquele aeroporto, demora pra ele sair. Neguinho é apaixonado, apaixonado mesmo. Na França, em Marseille, no beco dos pretos, nossa ! Se ele botar os pés lá “ Zé pequenô! Zé pequenô!”. É uma loucura bicho, uma loucura. O que me levou a ter mais visibilidade foi o cinema. Por isso fiquei conhecido lá fora.

Diogo Ruic - Você concorda com quem diz que o filme explora a pobreza dos negros e a violência? Não. Acho que aquele filme não fala de pobreza nem de negro, acho que ele fala de abandono. É um manifesto. Porque se trata de um livro intocável até na sua leitura cinematográfica. O romance é a história do Paulo Lins, o Buscapé é o Paulo Lins. É o cara que estava ali naquela comunidade. É isso que as pessoas percebem. O Bill Murray, Angélica Houston me perguntaram o que é a favela. Eles não perguntaram: “ Como é que é que ele fez pra girar aquela câmera que faz assim?”. Isso aí pô...

Sofia Amaral - E você acha que o filme retrata bem o que é a favela? Acho que sim. O retrato do brasileiro está todo ali. Há pessoas que vão assistir à coisa superficialmente e há pessoas que vão assistir à coisa profundamente e as opiniões vão se dividir nessa entrega. Acho que lá fora ninguém estava esperando um filme que tocasse tanto no ser humano, sabe? Dentro de uma linguagem cinematográfica.

Sofia Amaral - Como foi construir seu personagem no Cidade de Deus, o Zé Bonito? Parece que tem várias coisas em comum com a sua vida, ele também era do Exército, aquele cara serião...

Marcos Zibordi - Tragédia familiar também... Tem toda a história, tragédia familiar, exatamente. É a configuração do Brasil. Do abandono. Eu entrei três dias antes de fazer o filme porque era um outro cara que ia fazer o papel e não deu certo. E o Fernando (Meirelles) chegou lá: “Bicho, tô começando a filmar”, e contou a história do Mané Galinha. Ele não falou a história do filme, ele falou a história do meu personagem. Assinei o contrato e fui pra cena. Mas tive que me preparar com a Fátima Toledo. Mesmo com a vida do Mané Galinha sendo parecida com a minha, sem esse preparo seria muito difícil. A Fátima soube extrair de mim coisas que eu havia esquecido porque eu tinha me transformado no Seu Jorge. E ela falou: “Não quero Seu Jorge, quero o Jorge Mário da Silva”. Então ela utilizou minha vida, minha história, mas eu tinha consciência perfeita que as opções do Jorge Mário e do Mané Galinha eram opostas. A moral da história de Mané Galinha, no meu modo de entender, é que a vingança não leva a porra nenhuma. Eu quase fiz, cheguei a ir lá atrás dos que mataram meu irmão...

Marina Amaral - Você sabia quem tinha matado? Sabia. Cara de Cavalo, mas morreu. E o cabo Souza, ex-polícia. Esse tá vivo, safado, cabo Souza matou meu irmão. Quando ele fez isso, já não era da polícia, era procurado, o terror da Baixada Fluminense. Os caras são assim até hoje: “Sou o dono da comunidade, dono da parada.” O cara tem a arma e tal. Vou comprar arma pra debater com o cara? Pra que? Pro cara pegar teu filho na esquina?

Natália Viana - Mas você falou que invadiu sozinho o lugar dos assassinos? É, eu fui lá sozinho. Não fui com arma não, queria pegar alguém na tocaia, dando mole. Eu estava completamente transtornado, ia morrer lá. Mas eu ia pegar os caras.

Marcos Zibordi - Na unha? Ia pegar na mão mesmo. Eu pego. Eu estava completamente transtornado, entendeu? Eu não estava pensando, estava com muita dor. Meu irmão foi assassinado e eu não pude nem pedir perdão pra ele, porque a gente tinha brigado por uma bobagem no dia que ele morreu, usei meu poder de irmão mais velho e fiz ele mudar a estação de rádio que ele estava ouvindo. Queria falar pra ele: “Pô, cara, vacilei com você, tudo aqui é nosso, a gente é sangue do mesmo sangue”. Chego em casa e encontro o cara morto? Ainda do jeito que foi? O moleque de dezesseis anos, massacrado! Ele e todas as outras pessoas massacradas! Eu posso ficar bem da cabeça? E sem aparato intelectual e psicológico nenhum?

Marina Amaral - Você fez uma catarse no filme que você não pôde fazer na vida real. Exatamente. Eu cheguei a ir até lá, mas não tive coragem. No filme foi como se eu tivesse tido uma chance de voltar lá e fazer o que tinha de fazer.

Marina Amaral - E como foi esse caso entre você e a França? Conheci a França no ano 2000. Em 1998 gravei um disco do Farofa Carioca, que foi minha primeira banda no Rio de Janeiro e que fez um sucesso lá legal. Saiu pro mundo inteiro, vendeu 40 mil discos no Japão e vendeu bem em vários lugares fora do Brasil. E dois anos depois eu saí do grupo. Saí do Farofa Carioca em 1999 e em 2000 comecei a tocar no Favela Chic (um clube noturno parisiense onde tocam música brasileira). Fui a primeira vez, gostei, achei as pessoas interessantes e achei que gostaram do que eu fiz. Comecei ali a fazer show cada vez mais, fui aprendendo a língua...

Natalia Viana - Como é que é pra você ser mais reconhecido lá fora do que aqui? Não acho que sou mais reconhecido lá do que aqui. Sinceramente. Eu faço show aí, lugar lotado, não toca no rádio, mas nego canta tudo...Eu me sinto reconhecido demais pelo público.

Tatiana dos Santos - Como foi aquela história que você foi barrado em Londres? Foi problema com o visto? Não tive problema nenhum com visto. Foi discriminação racial pura e simples.

Tatiana dos Santos - Você pode contar como foi? Fui convidado a fazer um programa de televisão quinze dias depois de ter feito um show no Royal Festival. Lotei o lugar, o Independent falou que eu era o cara mais cool do planeta, meu filme saiu, Life Aquatic, e eu já sou conhecido pra caralho lá por causa do Cidade de Deus. D evido ao barulho que fez o show, a BBC me chamou para fazer esse programa, era eu, Black in Rio, a maior galera. E eu beleza, tava em Paris rapidinho, quarenta e cinco minutos de avião. Cheguei com a banda às oito horas da manhã na Imigração, tudo certo, endereço do hotel, telefone da BBC. Minha equipe técnica é francesa, não tem problemas para viajar pela União Européia e eu tinha uma apresentação da BBC me convidando, a carta estava lá. Então expliquei isso pra mulher da Imigração. “Ah, então tá bom, vou ligar na BBC, espera quinze minutos fora da fila, ali ”. Esperei quinze minutos, vieram dois guardas, recolheram a gente, separaram as bagagens, levaram todo mundo pra uma parede, tiraram Polaroid de todos e botaram as fotos identificando as bagagens. Eu não me pronunciei, não falei nada. Depois fizeram a ficha de todo mundo, nos colocaram dentro de uma sala, que fechava automaticamente, e a gente ficou recebendo as coisinhas por debaixo de um guichezinho: cobertor, travesseiro...

Marcos Zibordi - Eram quantas pessoas? Éramos seis, porque a minha cunhada tava com a gente também. Ela era a única pessoa branca que também tava lá. Mas com passaporte brasileiro.

Thiago Domenici - Eles não deram uma desculpa pra estar fazendo isso? Nada. Chegou a mulher a falou “I´m so sorry. A BBC não atende, e você vai ser deportado. O seu vôo é às duas e vinte.” Fiquei olhando pra cara dela, falei “pô, tá certo.” Isso já era umas dez horas da manhã. Aí os caras fizeram dura, revistaram tudo: “Tem droga”? “Não tem droga”. O meu engenheiro de som, que é francês e tinha conseguido entrar, pegou nosso equipamento da esteira mas até o equipamento foi revistado. Depois de um tempo vieram dois policiais da Imigração e um deles virou pra mim e perguntou: “Você é músico?” Falei: “Sou, sou músico”. “E o que você toca?” Falei: “Toco um pouco de tudo”. “Ah, é, então toca alguma coisa pra gente ver aí”. Falei: “É? Você vai me pagar quanto?” E ele: “Toca aí, não pode tocar uma música pra gente?”. “Não, só toco por grana, só toco por dinheiro, irmão, isso aqui é meu trabalho, não posso dar a única coisa que eu tenho pra vender. Pra você, só pagando”. Aí ele ficou assim: “Não, tudo bem, brincadeira”. Veio uma pizza pra gente e a mulher voltou falando assim: “Entramos em contato com a BBC e eles falaram que não conseguiram aprontar seu visto, e por isso...” Mentira, quando a BBC falou com eles a cagada já tinha sido feita, a expulsão estava carimbada no passaporte e eles com a desculpa pra BBC: “Ah, mas é só um programa de TV? Ele não falou”. Eu tinha falado, sim, então aí ficou uma saia justa. Disse pra ela: “Agora eu quero ir embora, vou nesse vôo das duas e vinte, vamos todo mundo embora”. E eles, da Imigração enrolando, perdemos o vôo: “Não dá para você viajar porque o passaporte não vai ficar pronto ”. Falei: “Como assim? Quero o meu passaporte, é meu direito, meu documento. Você não me deixou entrar no seu país, tudo bem, mas eu tô indo embora e quero meu passaporte agora”. “ Não, o passaporte tá na polícia, nós estamos fazendo o registro e tal, só amanhã. Então você aproveita e faz o programa”. Falei: “Não, eu quero ir embora, não quero ficar aqui no seu país, não tá me interessando. Eu fui convidado pra tocar aqui, entende? Me chamaram, eu tava em Paris, relax, era aniversário de dois anos da minha filha. Sabe quando ela vai fazer dois anos de idade de novo? Nunca mais. Eu tô aqui porque fui convidado”. Eu tava começando a ficar irritado, mas segurava aquela onda porque queria estar com toda a razão possível. Porra, a discriminação estava clara, e o erro da BBC foi não ter mandado ninguém pra me receber. Não os perdoei, fiquei com mágoa da galera de lá. Inclusive agora me indicaram a dois prêmios: melhor cantor e melhor disco world music, mas não tô nem aí pra esses prêmios porque eles tão querendo me bajular.

Marina Amaral - E a discriminação foi racial? Foi étnica, foi do Brasil. Brasileiro. Isso se confirmou com a morte do parceiro na seqüência (Jean Charles, morto pela polícia britânica). Foi logo depois. Eu tava no dia da bomba, eu e Mari, a gente tinha que voltar de trem pra Paris e fecharam a gare, cortaram o celular, porque eles achavam que as bombas estavam sendo disparadas por celular, cortaram comunicação por e-mail, cortaram a porra toda, e a gente na Inglaterra, sabe? Aí deu aquela viagem assim, porra meu, minha água de coco não, vou inverter esse delta. Fiquei mais um dia e me mandei. Fiz um show na Holanda, fiz outro show na Suíça, depois fui pra Paris e fiz a Bastille com o Gil. É neurótica a coisa, ali, sabe?

Marina Amaral - E seus shows são bem recebidos em todos os países? A última turnê foi ótima. Foram três shows em Portugal e um em Londres. Toquei pra mais de seis mil pessoas nesses quatro concertos, noventa e cinco por cento do público estrangeiro mesmo. Na Europa eu apareço bastante na televisão.

Marina Amaral - E aqui no Brasil? Aqui no Brasil evito tocar na TV porque o som não é bom. Os equipamentos são bons, mas meu técnico não pode entrar no estúdio e a emissão, o som que chega nas pessoas, é ruim. E se não tem som bom, não me interesso. A televisão aqui manipula muito as coisas, né? Só escapa o jogo de futebol porque é ao vivo e mesmo assim o resultado tá começando a ser manipulado.

Tatiana dos Santos - Por que seu primeiro disco solo só foi vendido na Daslu? Foi o seguinte: eu tenho uma relação muito boa com o Marcelo Loureiro, que é dono de uma marca de roupa chamada Mandi - moda masculina e tal - muito meu amigo, e ele um dia falou: “Todo mundo me pergunta sobre seus cds, sobre seu som, por favor, cara, vamos tirar uns seis mil discos, pelo menos pras pessoas terem e isso divulga a loja”. Eu estava na Itália fazendo Life Aquatic, fizemos três mil discos e ele botou na loja dele, uma delas lá na Daslu, anunciou no site da marca e todo mundo que tava a fim desse disco procurou lá. Daí vendeu mesmo. Eu não gosto de vender disco.

Natália Viana - Você não gosta de vender disco? Eu gosto de publicar discos, agora, ter essa responsabilidade de vender, ser um sucesso comercial, não. Acho maneiro assim e não ter o meu disco ao alcance das pessoas foi uma maneira de saber quem era fã e quem não era, sabe? Ou ficava no meio do boi com abóbora, pegando o bonde andando.

Marina Amaral - Você ainda vai muito pra França? Vou toda semana. Teve um dia desses aí que em três dias eu passei em quatro continentes. Eu vim do Japão, fui pra França e cheguei no Brasil. Passei dois dias aqui e fui para os Estados Unidos. Assim de um rock de 3, 4 dias fiquei em 4 continentes. Eu vôo muito. É meu trabalho, quase não fico aqui. Moro aqui há um ano, mas quase não fico. Na França tenho conta em bar, um apartamento pra morar...

Marina Amaral - Então você ficou rico? Quem paga pra mim é minha gravadora. Eu não exigi, mas tenho que ter uma casa, tenho filhos, tenho família, não posso chegar aqui e ficar em hotel. Marina Amaral - Sua gravadora é francesa? Eu sou artista de um selo chamado Fla-Flu e que é administrado por uma gravadora chamada Naif, francesa, e que lançou esse disco no mundo inteiro.

Thiago Domenici - Quem são teus parceiros na música? Com quem você fala, com o Chico Buarque, Caetano, esses caras? Falo com o Caetano, mas os parceiro são Marisa Monte, D2, Gabriel Moura, que é o meu melhor parceiro. Ed Motta, Max de Castro, Zé Ronaldinho, Arlindo Cruz... O seu Chico Buarque é bacana, já ouvi, mas não conheço, nunca fui apresentado.

Marina Amaral - E a música popular brasileira, como vai? Ela continua linda, formosa, incrível, somos um povo que amamos música, para nós é gênero de primeira necessidade. Não existe aquele trabalhador que não tem que sair na sexta-feira pra dar um beijinho na boca, tomar um chope, ouvir um som, mesmo que seja no barzinho do camarada com voz e violão, o cara cantando Djavan, dois reais de couvert, está tudo certo. É isso aí mesmo. A gente vai continuar “ impávido colosso ” enquanto Dorival Caymmi fizer as crianças dormirem. Porque “ Boi, boi da cara preta ” é dele para quem não sabe. E as crianças domem até hoje ouvindo isso, pelo menos as minhas crianças.

Camilo Leal – Você acredita na comunicação como instrumento de transformação? Eu procuro utilizar desta coisa, mas sem ser uma entidade, aquela coisa... Não tenho nada pra ensinar pra ninguém. Mas tem que falar desta ânsia que todo mundo tem por uma condição de igualdade. Todo mundo sai da favela para ser igual, usar a mesma roupa legal, consumir a mesma parada, ficar igual. E a gente não sabe o que acontece que essa igualdade nunca vem. Tem a manipulação, a gente fica afastado das verdadeiras informações a respeito do nosso país, não sabemos o que é feito com o nosso dinheiro, o que é feito com os nossos recursos. Nada nos retorna, a gente está aqui trabalhando, tentando ter as nossas coisas, pagando nossos impostos e as coisas não voltam, então vai entristecendo. Aí a música que era só pra trazer alegria, pra trazer o conforto, pra trazer o convívio, o beijo na boca, o romance, tem que ficar, pô, martelando nessa coisa. As pessoas vão pra se divertir e têm que ficar escutando pregação, porque está uma merda esta canalha. Então eu vou lá e tal: “– Olha, galera, vocês vieram aqui para se divertir, mas é seguinte, tenho tristes notícias para trazer pra vocês...”. Porra, foda, né...?

Marcos Zibordi - Você votou no Lula? Votei, votei. Apoiei o cara, estou acreditando no cara...

Marina Amaral - Votaria de novo? Acho que não, ele não me explicou qual o verdadeiro poder que um presidente da República tem para resolver um caso como este, de quem roubou, não roubou... Eu sei que se vive em um processo democrático e esta é uma grande conquista brasileira, a democracia. Mas por outro lado, assim, um pouco de energia é muito bom neste tipo de caso. Eu acho que deveria ser todo mundo recolhido às suas devidas celas e só ia sair dela quando a barra estivesse realmente provado limpa. Aí sim, se o cara estivesse honesto ia ser condecorado como herói, sabe como é que é?

Tatiana dos Santos - Quem é a Carolina? Carolina foi uma menina por quem fui apaixonado, quem me apresentou para ela foi a Camila, esposa do Marcelo D2. Uma figura fantástica, hoje muito bem casada, tem uma neném também, uma menina, deve estar com uns três quatro anos de idade, a idade da minha filha, mas fui apaixonado por ela e ela não quis nada comigo. Então virei para ela e falei: “Então você está fodida porque vou fazer uma música que vai fazer muito sucesso, você vai lembrar desta porra... todo mundo vai ficar querendo ser a Carolina e a Carolina é você, e você vai ter que amargar esta mesmo que não queira”. Hoje é minha amigona maravilhosa, gente finíssima, se diverte, fala: “Você é um filho da puta, a música é um sucesso”.

Nino Andrés - E por que Seu Jorge? O Seu não é de senhor, é de seu criado, né? Os antigos falavam assim: “– Meu nome é Mario Jorge da Silva, seu criado”. É uma forma de quebrar esta mania de formalidade, ou meu Jorge, ou nosso Jorge. Foi o Marcelo Yuca que me batizou, meu padrinho, o único que eu tenho.

quinta-feira, 4 de maio de 2006

Caricatos by Flavão





terça-feira, 2 de maio de 2006

Presídio será constuído em Iúna ?????




Segundo informações do Jornal Folha do Caparaó, o Prefeito de Iúna, Rogério Cruz Credo fechou uma parceria com o governo do estado para construção de um presídio em Iúna!!!!!!!!!

A exemplo do que fizemos com relação á enquetes sobre o futebol brasileiro e a do site do shumacher sobre o senna, convoco a todos os caparaoenses a dizerem NÃO a esta barbaridade, e mais, enviem a todas as pessoas que puderem o link da enquete e da reportagem, que seguem abaixo:

A Reportagem: http://www.caparaonoticias.com.br/index.php?pg=visualizadestaque.php&iddestaque=27

A Enquete: http://www.caparaonoticias.com.br/enquete.php

ESTE NÃO É UM PROBLEMA SÓ DO MUNICÍPIO DE IÚNA, MAS DE TODA A REGIÃO DO CAPARAÓ, QUE TENTA A DURAS PENAS SE FIRMAR COMO PÓLO DE TURISMO NACIONAL E MUNDIAL!!!!

VAMOS TODOS GRITAR BEM FORTE CONTRA ESTE ATO INSANO!!!

p.s.: até o momento em que terminava de escrever este, a enquete estava em 57% SIM, com 14 votos...

Pato´s Cup - 1




Os dois patos, ou melhor, marrecos finalistas... hehe

Pato´s Cup - 2




A Pataiada "quase" toda reunida...

Pato´s Cup - 3




Fazendo juz ao nome do campeonato, essa partida demorou cerca de 15 minutos pra começar realmente, qndo o vitín garnizé matou a primeira bola.... contra o Antônio Jr.

Pato´s Cup - 4




El Presidente del Social Club Lajão
 


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